À SUCAPA...
Em recente conversa com o Jorge Cação numa jantarada em casa do Paulo Ferreira, veio à baila como não podia deixar de ser o surf, e algumas recordações dos velhos tempos.
Do nosso grupo, e seríamos aí uma vintena, havia três que sofriam mais com os castigos impostos pelos respectivos progenitores que os restantes: eu, o Jorge e o Pedro Cação, mais eu e o Pedro que propriamente o Jorge.
Quando as coisas não corriam bem, principalmente na escola, o castigo, já se sabia qual era: não poder ir surfar. Era a pior coisa que nos podiam fazer, e talvez por isso a razão do castigo ser esse. Hoje também pai, e entrado nos “entas”, percebo a aplicação de tal sanção, mas na altura aquilo era difícil de engolir, frustrante e revoltante.
Era fim-de-semana, já não sei se Sábado ou Domingo, e as ondas no Molhe Leste. Nesse dia tinha “calhado a fava”ao Pedro, alguma negativazita num teste, ou algo do género. Bem, eu já tinha feito a minha surfada, e seriam aí umas duas da tarde, chega o Pedro à praia…sem material, estava de castigo, e pergunta-me se eu lhe emprestava o meu para ir fazer uma horinha de surf, dando ainda tempo para a minha segunda sessão.
Só em casos muitos especiais nos negávamos a esse pedido, eu e o Pedro éramos bastante solidários um com o outro, quando um de nós estava nessa situação detestável, pois volta na volta lá nos calhava.Muito bem, lá foi ele surfar com a minha prancha e o meu fato. Aí por volta das três e meia da tarde, já ele se preparava para sair, que era o que tínhamos combinado, vejo o pai do Pedro a passear em cima do molhe… grande cena, era desta que ia ser apanhado!
Todo o pessoal sabia da situação, e lá se conseguiu passar a informação ao Pedro que estava dentro de água para não sair, e a malta cá fora sempre “à viva” a controlar quando o pai Jorge se ia embora.Mas ele não estava nada para aí virado, até parecia que estava desconfiado de alguma coisa… mais de uma hora andou ele ali a passear e a olhar para o mar, na conversa com um amigo que o acompanhava, e o desgraçado do Pedro dentro de água a aguentar, o frio a apertar e nem ondas podia fazer, para não ser topado, pois a melhor maneira de passar despercebido era estar sentado no meio do “crowd”.
Talvez aí por volta das cinco e meia, lá o pai Jorge decidiu finalmente ir-se embora, e o enregelado Pedro saiu da água… até vinha roxo, mas conseguiu safar-se desta… pelo menos até ver, é que ainda faltava a “prova de fogo” quando chegasse a casa.
Passo a explicar o procedimento (com conhecimento de causa): depois de sair da água, ainda nos esperava a caminhada até Peniche, onde no meu caso no Café Oceano, e no caso do Pedro na Associação, se passava a cabeça por água doce, e se secava o cabelo na máquina de secar mãos, para depois colocar dois pingos de “visine” em cada olho, e esperar que nenhum amigo da família nos tivesse visto… era essa a nossa sina nos dias de castigo, até que a sanção fosse levantada, o que algumas vezes durava por vários fins-de-semana, conforme a gravidade do sucedido.
O nosso único alento, era que quando fossemos “grandes” poderíamos surfar quando quiséssemos e sem dar satisfações a ninguém, isso é que era... santa inocência!!!
Agora os nossos pais já não nos proíbem de ir surfar, é pena, a vida era tão mais fácil quando era castigado pelo meu pai… é que a única preocupação era mesmo só essa, não poder ir surfar…e talvez a do Pedro também.
Abraço Pedro…
Em recente conversa com o Jorge Cação numa jantarada em casa do Paulo Ferreira, veio à baila como não podia deixar de ser o surf, e algumas recordações dos velhos tempos.
Do nosso grupo, e seríamos aí uma vintena, havia três que sofriam mais com os castigos impostos pelos respectivos progenitores que os restantes: eu, o Jorge e o Pedro Cação, mais eu e o Pedro que propriamente o Jorge.
Quando as coisas não corriam bem, principalmente na escola, o castigo, já se sabia qual era: não poder ir surfar. Era a pior coisa que nos podiam fazer, e talvez por isso a razão do castigo ser esse. Hoje também pai, e entrado nos “entas”, percebo a aplicação de tal sanção, mas na altura aquilo era difícil de engolir, frustrante e revoltante.
Era fim-de-semana, já não sei se Sábado ou Domingo, e as ondas no Molhe Leste. Nesse dia tinha “calhado a fava”ao Pedro, alguma negativazita num teste, ou algo do género. Bem, eu já tinha feito a minha surfada, e seriam aí umas duas da tarde, chega o Pedro à praia…sem material, estava de castigo, e pergunta-me se eu lhe emprestava o meu para ir fazer uma horinha de surf, dando ainda tempo para a minha segunda sessão.
Só em casos muitos especiais nos negávamos a esse pedido, eu e o Pedro éramos bastante solidários um com o outro, quando um de nós estava nessa situação detestável, pois volta na volta lá nos calhava.Muito bem, lá foi ele surfar com a minha prancha e o meu fato. Aí por volta das três e meia da tarde, já ele se preparava para sair, que era o que tínhamos combinado, vejo o pai do Pedro a passear em cima do molhe… grande cena, era desta que ia ser apanhado!
Todo o pessoal sabia da situação, e lá se conseguiu passar a informação ao Pedro que estava dentro de água para não sair, e a malta cá fora sempre “à viva” a controlar quando o pai Jorge se ia embora.Mas ele não estava nada para aí virado, até parecia que estava desconfiado de alguma coisa… mais de uma hora andou ele ali a passear e a olhar para o mar, na conversa com um amigo que o acompanhava, e o desgraçado do Pedro dentro de água a aguentar, o frio a apertar e nem ondas podia fazer, para não ser topado, pois a melhor maneira de passar despercebido era estar sentado no meio do “crowd”.
Talvez aí por volta das cinco e meia, lá o pai Jorge decidiu finalmente ir-se embora, e o enregelado Pedro saiu da água… até vinha roxo, mas conseguiu safar-se desta… pelo menos até ver, é que ainda faltava a “prova de fogo” quando chegasse a casa.
Passo a explicar o procedimento (com conhecimento de causa): depois de sair da água, ainda nos esperava a caminhada até Peniche, onde no meu caso no Café Oceano, e no caso do Pedro na Associação, se passava a cabeça por água doce, e se secava o cabelo na máquina de secar mãos, para depois colocar dois pingos de “visine” em cada olho, e esperar que nenhum amigo da família nos tivesse visto… era essa a nossa sina nos dias de castigo, até que a sanção fosse levantada, o que algumas vezes durava por vários fins-de-semana, conforme a gravidade do sucedido.
O nosso único alento, era que quando fossemos “grandes” poderíamos surfar quando quiséssemos e sem dar satisfações a ninguém, isso é que era... santa inocência!!!
Agora os nossos pais já não nos proíbem de ir surfar, é pena, a vida era tão mais fácil quando era castigado pelo meu pai… é que a única preocupação era mesmo só essa, não poder ir surfar…e talvez a do Pedro também.
Abraço Pedro…
